Viajando pelo mundo

A minha grande viagem de 2003, em Maio e Junho, foi ao Quénia e Tanzânia, incluindo a Ilha de Zanzibar.

Todo o circuito foi desenhado e marcado em Lisboa, todos os serviços estavam contratados a agentes locais: a Discovery Kenya e a Discovery Tanzânia.

Resolvi separar os dois países e, falar no Quénia em primeiro lugar, a Tanzânia fica para depois.

Os vistos são obtidos à chegada a Nairobi, e logo aqui ficamos com a certeza que estamos num continente onde as coisas correm a um ritmo muito próprio.

O voo de Amesterdão chegou já de noite e assim que saímos do avião, senti o calor e humidade tão característica dos trópicos. Estava, finalmente, de regresso ao continente que me viu nascer, 26 anos depois de ter deixado Moçambique.

O aeroporto de Nairobi está rodeado pelo Parque Nacional de Nairobi, não sendo, por isso, estranho ver girafas espreitando pelas redes de protecção dos acessos viários ao terminal.

Nairobi, como qualquer outra grande cidade africana, é caótica, o trânsito mistura-se com as pessoas num emaranhado de tal ordem que parece milagre não haver mais acidentes.

Ficámos a primeira noite no elegantíssimo Hotel Safari Park em Nairobi, de onde partiríamos na manhã seguinte em direcção ao Rift Valley e ao Masai Mara, terra dos Masai e prolongamento do Serengueti.

Em Masai Mara, e em todos os parques por onde andamos, fizemos, diariamente, três safaris, o primeiro às 06:00 da manhã, o segundo às 10:00 e o último perto das 16:30. Ás 18:00 todos tinham que regressar aos Lodges, onde ficávamos fechados na segurança de uma rede electrificada para nossa protecção.

O Quénia leva muito a sério a preservação da vida selvagem, desde muito cedo que os políticos quenianos se aperceberam que o turismo era uma fonte de rendimentos muito importante para a economia nacional.

As reservas têm extensões gigantescas e ocupam uma parte considerável do território, o abate ilegal de elefantes e rinocerontes (em extinção) pode ser punido com a pena de morte.

Ser guia de safaris é motivo de orgulho para os quenianos e para que alguém o possa ser, são necessários 3 anos de estudo universitário, com matérias tão distintas com a biologia, a ecologia, o comportamento animal e línguas. Os alunos só são considerados guias licenciados após um ano de prática acompanhada num dos muitos parques.

De Masai Mara partimos em direcção ao Lake Nakuro, o famoso lago onde se pode observar milhões de flamingos, estima-se que chegam a ser 3 milhões!!!

Seguiu-se a Reserva de Mount Kenya, assim chamada por ficar na base do pico mais alto do Quénia. Aqui atravessamos o Equador e assistimos a uma demonstração de como a água corre em sentido diferente, conforme se esteja a norte ou a sul do Equador.

Samburu, perto da fronteira com a Etiópia, foi a reserva seguinte, aqui foram feitas as filmagens do filme “Out of Africa”. Simplesmente arrebatador, elegi este como a mais bonita das reservas quenianas que visitei.

Em Aberdare, dormimos uma noite em The Ark, a Arca de Noé. Os visitantes são fechados num lodge que se assemelha a uma arca durante uma tarde e uma noite. Aqui podemos observar a vida selvagem do interior da arca escondida no meio da densa selva. A estrutura tem uma vista privilegiada sobre um lago onde os animais vêm beber água. Ás vezes é possível assistir a ataques de leões. Assistimos a uma palestra sobre a eminente extinção do rinoceronte.

Durante a noite há sempre pessoas de vigia que controlam um sistema de campainhas que alertam os visitantes para o aparecimento de algo interessante. Um, dois, três toques tem significados diferentes. Três toques, aquele que todos esperam ouvir, significa que algo muito raro está a acontecer e que todos devem sair da cama e correr, no maior silêncio possível, para os pontos de observação.

A noite tinha sido de chuva intensa e, devido à altitude em que se situa o lodge, dormimos com sacos de água quente na cama. A meio da noite três toques soaram e, de pijamas, todos se encaminharam para o posto de observação mais próximo, pudemos ver uma migração de búfalos que, em pânico por causa da trovoada, faziam tremer toda a estrutua do lodge.

De regresso a Nairobi fizemos o city tour habitual, e seguimos para sul em direcção a Amboseli, para finalizar a visita do Quénia e atravessar a fronteira terrestre em Namanga para a Tanzânia.

Amboseli é uma reserva muito bonita, onde podemos enquadrar os “bichinhos” com o imponente Kilimanjaro. Para meu azar só vimos, por poucos minutos, as neves permanentes do maior pico da Tanzânia – o Kilimanjaro.

Ficaram as saudades de uma terra que, para mim, despertou os cheiros e cores esquecidas lá no fundo do subconsciente.

 

 

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